quinta-feira, 14 de julho de 2011



Então… um dia desses aí normais, eu me sentei na calçada de uma praça, e do outro lado da praça havia uma velhinha sentada num banco, com algumas sacolas ao seu lado, fique-a observando por minutos, ali imóvel, vendo aquela cena, algo me intrigou, não sei ao certo o que me chamava tanta atenção, mas eu fui até ela, pra ver melhor o que ela fazia ali num sol daqueles. Cheguei, à cumprimentei com muita delicadeza, e quando olhei-a nos olhos, só conseguia ver tristeza, desespero, medo, dor… O seu semblante me cortava a alma, eu parei por segundos, e viajei no olhar daquela mulher. Perguntei se podia me sentar ao seu lado, ela com um sorriso amarelo com toda delicadeza de uma mulher, permitiu minha presença, olhei para o nada, pensei em tudo, e algo dentro de mim dizia, pergunte à ela o que faz aqui sozinha, diz… Então cruzei minhas pernas e comentei o quão o sol estava estalando em nossas cabeças, e chamei-a para sombra, mas ela se negou, tive que ficar ali, eu precisava saber o que se passava com ela. Tive a “cara-de-pau” de perguntar, “O que a senhora faz aqui sozinha, num sol desses?”, ela se virou para mim e com os olhos cheios de lágrimas, pronunciou as seguintes palavras:
Meus filhos me deixaram aqui, disseram que voltariam, eu prometi que esperaria, mas já estou esperando à três dias. Estou com medo, com fome, e com uma dor imensa aqui dentro, eu acho que eles não me querem mais por perto, por eu ser tão velha…
Parei… boquiaberta, eu não tinha palavras na boca, e foi então que percebi, o mundo se afundou num mar de egoísmo, compaixão não se existe mais, amor ficando escasso. Nunca eu abandonaria minha “MÃE” assim, dessa forma. Eu tinha que fazer algo imediatamente, perguntei-a se ela iria comigo à um abrigo para idosos, foi então que ela pronunciou novamente as seguintes palavras:
Não posso! Eu “prometi” aos meus filhos esperar eles voltarem. Agradeço sua ajuda…
Parei novamente e pensei… “As pessoas que mais nos são leais, fieis, as pessoas que mais nos amam, e que fariam tudo para o nosso bem, não ganham se quer um pingo de amor”. Filhos abandonando pais, pais abandonando filhos, eu tenho medo de tudo isso piorar! Dê valor no amor dos seus pais, por mais que eles não demonstrem, por mais que eles te “encham o saco”, vejam, eles serão as únicas pessoas que lutariam bravamente pra te proteger, dos olhos deles, se você partisse agora, eles seriam os únicos que sentiriam sua eterna falta. Não espere perder, pra poder entender! Vá em seu pai ou sua mãe, olhe engraçado, sorria de canto, cochiche um “eu te amo”.

N. Martins.

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